Educação brasileira: uma fábrica de sonhos pré-moldados

Sei bem que falar sobre a educação brasileira é pisar em um território bastante controverso. Em primeiro lugar, temos a falta de investimento do Estado nas instituições públicas, o que por si só já dificulta o crescimento de qualquer estudante. Além disso, há ainda a confusa estratégia de priorizar o segundo grau frente ao ensino básico, especialmente no setor público. E para finalizar, percebemos que nem mesmo as instituições particulares parecem conseguir se encaixar no novo padrão de educação que vemos ao redor do mundo.

Sabendo de tudo isso, chego então ao tema central deste texto, algo que me incomoda desde os tempos de ensino médio: a falta de apoio aos alunos que queiram seguir carreiras longe do famoso tridente Medicina, Engenharia e Direito. Nada contra essas profissões — que entendo serem vitais para a evolução de qualquer país —, mas por que não incentivar também os que pretendem estudar artes, comunicação ou qualquer outra área de atuação?

Não é a toa que vemos tantas mudanças de carreira em jovens profissionais, especialmente aqueles entre seus 20 e 30 e poucos anos. Por tamanha falta de incentivo, eles acabam optando por carreiras tradicionais, mas que não necessariamente os trazem felicidade. Com isso, o caminho fica óbvio: depois de alguns anos, essas pessoas se veem obrigadas a mudar de área para encontrarem a real felicidade.

 

As tais carreiras tradicionais

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Como disse acima, entendo perfeitamente e necessidade de possuirmos médicos, engenheiros e advogados, mas acredito que não há bom profissional sem paixão, sem tesão pelo que faz. De nada adianta ter um diploma de médico pendurado em sua parede se você não tem amor por sua profissão. Se me permite a opinião sincera, ou você vai fazer mal aos seus pacientes ou a você. Alguém não saíra ileso desta situação.

Como publicitário, entendo a necessidade da promoção dos resultados de seus estudantes, especialmente quando entram em grandes e prestigiadas universidades, é isso que traz novos alunos a sua escola ou cursinho pré-vestibular. Ainda assim, por que um designer não merece o mesmo respeito que um engenheiro, ou um psicólogo não pode se sobressair frente a um médico?

Ainda existe, sim, uma pressão das escolas para que seus alunos optem por tais carreiras tradicionais, mesmo que velada ou inconsciente. Foi-se o tempo em que essas eram as únicas opções. Pelo contrário, hoje em dia novas profissões surgem a cada dia, e é preciso que as instituições entendam que é necessário incentivar todo e qualquer sonho de seus alunos.

As novas carreiras

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Se você quer descobrir uma nova profissão, basta entrar em qualquer buscador de empregos e visualizar os cargos. Posso apostar aqui que a grande maioria deles você não terá a mínima ideia a que se referem. Android Developer, Desenvolver Java Sênior, Desenhista Projetista, Coordenador de Facilities, Assessor de Investimentos e Analista de Validação. Essas são apenas algumas das vagas que pude encontrar em cinco minutos de pesquisa e que, sinceramente, nunca ouvi falar em meus tempos de ensino médio.

Então pergunto a você, querido leitor…

Como posso saber se essa é a profissão que quero seguir se nunca ouvi sequer um comentário sobre ela?

O mercado está evoluindo e as necessidades das empresas são outras, então nada mais normal que as escolas também se atualizarem, passando a seus alunos o mínimo necessário para que eles entendam essas novas profissões, não é? Seria isso uma utopia ou apenas um processo lógico e necessário?

As eternas carreiras alternativas

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Além dessas novas profissões, que surgem aos milhares a cada dia, ainda temos aquelas que sempre existiram, mas nunca foram consideradas, ao menos pelas instituições. Teatro, música e esportes sempre estiveram na grade curricular de qualquer escola, mas a impressão que temos é que sempre foram consideradas hobbies ou passatempos, e nunca uma real opção de carreira.

Por que não incentivar seus alunos a serem skatistas profissionais, grandes atletas, que representam nosso país em um mercado tão injusto? Por que não torcer pelo sucesso deles como dançarinos, que sofrem tanto no dia a dia para terem alguns minutos de sucesso em pequenos palcos pelo país? Seria isso tão irreal quanto parece? Seria essa uma tarefa tão impossível que não mereça a atenção dos professores?

A paixão vs o dinheiro

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Para quem ainda não percebeu, a atual geração busca a felicidade acima de tudo, e não o status e o dinheiro, como era comum antigamente. Além disso, é preciso definir também um limite entre o que eles querem e o que a escola espera. Enquanto esses fatores não conversarem entre si, a tendência é que os conflitos dentro das instituições de ensino só continuem a crescer.

É claro que se faz necessário demonstrar todos os pontos de qualquer área de atuação, incluindo aí os positivos e os negativos, até porque embora decidida, essa é uma geração extremamente influenciável. Sim, é preciso saber que nem só de sonhos se faz a vida, e nem só de sucesso se faz uma carreira. Dinheiro é importante sim, estabilidade também, mas o quanto esses fatores realmente importam diz mais respeito ao aluno do que à escola.

O caminho da educação brasileira

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A verdade é que a geração y é diferente das anteriores, e disso não há dúvidas. Eles não vão se contentar em apenas agradar os outros, vão procurar a própria felicidade, independente do que isso pode acarretar. Brigar contra isso é simplesmente irracional, é uma batalha em que todos perdem, independente do resultado.

Apoiar as vontades das crianças não é mais uma opção, muito menos uma questão que caiba aos orientadores decidirem. Essa é uma obrigação que visa não somente uma boa ação, mas o bem estar de toda uma geração e do futuro deste planeta. Ignorar o aumento de casos de ansiedade e depressão em crianças, ou ainda não perceber a relação entre esses fatos é apenas tentar se enganar e, com isso, atrapalhar um futuro que pode sim ser brilhante.

Obviamente que a educação brasileira não mudará de um dia para o outro, muito menos por conta deste texto que vos escrevo. Mas se alguns diretores ou professores começarem a mudar seus pensamentos, o caminho passa a ser mais fácil e lógico. Além deles, o papel dos pais continua sendo o mais importante, pois de nada adianta ser incentivado na escola e ter suas asas cortadas em casa. Pensando em tudo isso, termino este artigo com uma simples reflexão aos mais velhos e que já estão inseridos no mercado de trabalho.

Se você pudesse realmente decidir o que gostaria de fazer, estaria na carreira em que se encontra agora?

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