Os velhos, os novos e o dinheiro

Preciso confessar que resolvi fazer esse texto após observar, por algum tempo, o comportamento dos mais velhos — principalmente da geração X — em relação ao dinheiro. Diversos aspectos de suas atitudes referentes ao tema me deixavam intrigado e me faziam perceber, a todo momento, o quanto eles são diferentes de mim e dos meus amigos millennials.

Da forma como decidem receber seus ganhos, passando pelo modo como gastam, o jeito como poupam e finalizando na comunicação sobre tais quantias. Em minha experiência, pude perceber que todos esses aspectos são diferentes aos que eu aplico em minha vida, assim como, após conversar com vários de meus amigos, parece ser com todos de minha geração.

Não entendo ser errada a forma como eles tratam seu dinheiro, até por que acredito que existem motivos para fazerem de tal maneira, mas vejo que minha geração acabou por aprender muito com o esforço de seus pais e tentou, assim, aprimorar seu relacionamento com seus ganhos.

 

O ganho de dinheiro

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O primeiro fato que percebi foi a discrepância quanto à forma em que ganhamos dinheiro. Óbvio que também temos que trabalhar para conquistar nossas suadas moedas, mas não nos contentamos em “apenas” trabalhar, mas sim em fazer algo que realmente nos motive e faça sentido. São pouco os casos que conheço de millennials que trabalhem em algo que não gostem apenas para ganhar dinheiro.

Independente da classe social, a vontade de exercer uma atividade que combine com seu gosto pessoal se mostra maior do que a necessidade de enriquecer, algo que nem sempre é válido para os nossos amigos da geração X. O foco deixa de ser o dinheiro e passa a ser a felicidade, simples assim.

“Ah, mas as vezes não é possível encontrar um trabalho que te deixe feliz e pague suas contas”disse o senhor, à mesa de jantar naquela refeição em família.

Sim, concordo, nem sempre é possível coordenar as duas coisas de forma harmônica. Mas é aí que se encontra o diferencial principal entre as duas gerações: os millennials não se contentam com isso. Se está ruim, muda e pronto. Ficou três meses em um emprego, mas descobriu que não é o que lhe faz feliz, começa a procurar um novo, ou simplesmente se demite e corre atrás.

Os millennials não têm medo de mudar e arriscar.

 

O valor dos bens

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Não vou dizer aqui aquela frase batida que os millennials não se preocupam com bens materiais, até por que sou uma prova viva que isso não é verdade. Gosto de ter meu carro, quero ter meu apartamento, pretendo ter mais bens sim. O que ocorre é que a importância disso é menor para nós do que é para os mais velhos.

As experiências acabam por ser mais importantes para os millennials e, por conta disso, viagens e intercâmbios, cursos e conhecimento, e tantas outras oportunidades apresentam um grau maior de satisfação que os tais bens materiais. Em minha opinião, a diferença está aí: no decorrer dos anos houve uma inversão dos valores, em que se tornou mais importante viver do que ter.

Pensando dessa forma é que respondo a todos que me perguntam. Os mais novos também querem ter carros, apartamentos, celulares de última geração e tudo mais. Sim, eles também são consumistas. Só não espere que eles façam tudo isso e deixem de lado suas experiências. Pode até trocar de carro, mas vai continuar viajando e curtindo a vida.

 

As verdadeiras ambições

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Conversando com meus amigos, vejo que a grande maioria deles não tem como sonho ser CEO, diretor ou executivo de uma grande empresa. Não por que não tem ambição, mas por que tiveram tempo mais do que necessário para analisar tudo que seus pais tiveram que passar para chegar a tais cargos, ou pelos menos tentar chegar. No fim das contas, percebemos que o esforço não vale a pena.

Se preciso trabalhar 12 horas por dia para ganhar dinheiro suficiente para ter uma vida de luxo, posso muito bem trabalhar 8 e ter uma vida satisfatória. Não há problema algum nisso. Nenhum valor paga minha paz, muito menos minha qualidade de vida.

Com essa ideia em mente que os millennials planejam suas carreiras, tentando equilibrar ao máximo seus ganhos com seus esforços. Não faz sentido trabalhar muito e ganhar pouco. Não faz sentido trabalhar muito e viajar pouco. Não faz sentido trabalhar muito e viver pouco.

 

A realidade atual

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Por fim, vejo um ponto que me chama muito a atenção em relação a esse tópico: millennials não têm medo de compartilhar seus ganhos, dizer aos amigos qual é seu salário, ou quanto custou aquilo que compraram, algo que é quase um pecado para os mais velhos.

Eu, por exemplo sei o salário de 90% dos meus amigos, assim como eles sabem o meu. Óbvio que nossa intimidade ajuda nisso, e não saímos por ai dizendo a todos nossos ganhos e gastos. Mas esse é um fator que não ocorre praticamente em nenhum nível com os mais velhos.

Sinceramente, especificamente sobre esse tema, não sei dizer quem está certo ou não. Entendo ambos os lados, já que os dois têm bons motivos para atuarem desta forma. De qualquer jeito, é assim que funciona, essa é a realidade atual dos millennials e seus parceiros da geração X.

 

O embate das gerações

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Concluo este texto sem conclusão nenhuma, até por que não vejo nenhum dos lados como vencedor deste embate. Discussões vão existir sempre, e o conflito das gerações é algo que acontecerá por um bom tempo, independente do que eu diga aqui.

Somente as vivências de uma pessoa podem justificar seus atos, e não há como discutir as vivências de duas gerações tão diferentes e que passaram por coisas tão antagônicas. Das guerras à tecnologia. Das crises à abundância. Da falta ao excesso. As divergências são tantas que até um simples argumento pode mudar completamente essa conversa.

Sem saber quem está certo e quem está errado, termino este texto deixando apenas minha opinião, que pode não servir em nada para você, e isso está tudo bem também.

Antes de tirar conclusões, conversem com os outros. Seus pontos de vista podem até ser equivocados, mas sempre é possível tirar algo da opinião alheia, nem que seja “o que não fazer”.

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