Faça o que eu digo, não faça o que eu faço. A dificuldade em aplicar o conhecimento em causa própria.

Afonso tem uma carreira quase que perfeita no mercado financeiro. Trabalhou em grandes bancos, chegou à gerência e, depois, à diretoria. Afonso é formado em economia pela USP, dá aulas e palestras sobre o assunto. Em seu LinkedIn, tem mais de 10.000 seguidores, todos ávidos por ter um por cento do conhecimento dele. Afonso não consegue controlar seus gastos no cartão de crédito. Afonso está quebrado.

Fernando é formado em Marketing por uma grande faculdade particular da cidade São Paulo. Aluno dedicado, sempre prestou atenção nas aulas, faltava muito pouco. Fernando sabe tudo de mídias sociais, estratégias de mercado, pesquisas com clientes e concorrentes. Faz um plano de marketing como ninguém. Fernando resolveu abrir uma empresa. O marketing de sua empresa era horrível.

Parecem situações estranhas, mas são muito mais recorrentes do que pode-se imaginar. O conhecimento adquirido nem sempre pode ser aplicado em todas as situações e, mais do que isso, o que a faculdade ensina é o mundo ideal. No mundo real, a situação é outra, e todos os entraves e dificuldades acabam, por muitas vezes, transformando todo o conhecimento em um diploma pendurado na parede, cheio de pó. Um troféu de honra ao mérito.

 

A eterna busca por conhecimento

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Se você é da geração X ou Y, com certeza vai entender o que vou dizer agora.

Os tempos mudaram. Uma carreira de sucesso hoje não é como uma dos anos 90, nem dos 80 e muito menos dos 70. Os requisitos também mudaram. Graduação, inglês? Isso é básico. Intercâmbio, MBA? Todo mundo tem. Experiência profissional, passagem por multinacional? Entra na fila.

Com tanta concorrência, nós — os trabalhadores —, acabamos por correr para ter, cada vez mais, conhecimento. Em vista desta busca, se vê muitos com 27 anos de idade que já carregam em seu currículo tudo isso citado acima, junto a uma pós graduação, trabalho voluntário nas favelas da Índia e até uma doação de rim — tudo para se diferenciar.

Com todo esse estudo, vivemos uma geração formada por especialistas. Muita gente, com muito conhecimento, com muita opinião.  

 

A era de passar o conhecimento

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Com o advento das redes sociais, todos agora têm a mesma chance de se tornarem famosos. Gosto do termo “a democratização da fama”, define bem o que quero dizer.

O conceito permite entendermos que todos podem, agora, espalhar suas opiniões e visões por aí, desde que haja quem queira ver — e, pelo que vejo, há quem queira ver de tudo. Com isso, chegamos à era dos especialistas que, assim como eu estou fazendo neste exato momento, espalham seus textos e artigos na internet para buscar quem os queira seguir.

Com toda essa parafernália digital, as pessoas conseguem expor seus pensamentos profissionais, e se tornarem grandes gurus de suas áreas, tendo assim diversos fãs e seguidores dispostos a comprar seus livros, e-books, e tudo mais que oferecerem. Entendam bem, isso não é uma crítica, mas sim uma constatação.

Percebe-se então, que ficou relativamente fácil passar seu conhecimento para os outros.

 

A dificuldade em aplicar o conhecimento

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Ao meu ver, ambos os exemplos citados logo no início deste texto são, não somente plausíveis, mas perdoáveis. A aplicação do conhecimento adquirido em algo depende de diversos fatores, e a peculiaridade de cada um deles pode afetar, consideravelmente, o resultado.

Em primeiro lugar, acredito que o que mais influencia o desfecho de uma estratégia, seja ela qualquer for, é a proximidade que você está do fato — o tal do “olhar macro ou olhar micro”.

Quando se está com um problema em sua própria empresa, ou até em sua vida pessoal, tendemos sempre a ter uma visão micro do que está ocorrendo — analisamos somente o problema e o que ele causa, sem conseguir fazer o caminho inverso, e perceber a causa do problema.

Por outro lado, quando se está de fora, o olhar macro — analisando toda a situação, o caminho do problema e, somente enfim, suas consequências — permite um entendimento muito mais amplo, o que também produz soluções bem mais certeiras para estancar o tal problema.

Outra frase que gosto muito e que se aplica muito bem aqui é a famosa “ignorância é uma benção”. Digo isso porque é muito simples, sendo um olhar de fora, sugerir alternativas que, embora perfeitas, não estejam ao alcance do cliente.

Acontece que, na prática, essas opções pode não ser possíveis, por conta de —principalmente — dinheiro, qualidade e tamanho da equipe, e dados como estoque, capacidade de produção, entre outros.

Além de tudo isso, temos também a necessidade de diversos conhecimentos adjacentes ao principal. Como assim? Explico: Uma pessoa pode ser especialista em marketing sem saber fazer uma campanha no Facebook, visto que, dentre todas as áreas dentro de sua expertise, ele é focado mais em outras. Isso não é demérito, nem mesmo uma falha. É um fato, e somente isso.

Para exemplificar um pouco mais toda essa situação, citarei minha própria experiência. Algo que vivi com minha empresa, a marca de roupas Napp Urbanwear, e que, com certeza, se aplica perfeitamente neste artigo.

Com três sócios graduados em comunicação, todos esperavam que as ações de marketing da Napp fossem geniais e com altos investimentos. Acontece que, com um estoque baixo, deveríamos controlar a demanda por nossos produtos, o que pode ser feito justamente controlando também a promoção.

Outro fato que influenciou, em nosso caso, a aplicação ou não de nosso conhecimento foi, como disse há alguns parágrafos, o foco dentro da área. Com um especialista em estratégia, um em relações públicas e outro em marketing corporativo, nenhum de nós tinha como foco a utilização de mídias sociais, ainda que tivéssemos algum conhecimento para isso. A solução? Estudar muito e aprender em alguns dias uma nova área dentro do marketing.

 

Concluindo sem nada concluir

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Por conta de todos os motivos que passei acima, acredito ser completamente natural ocorrerem situações em que, mesmo sendo especialista ou estudado em uma determinada área, o profissional tenha dificuldades em aplicar todo seu conhecimento em situações que envolvem a si mesmo.

Minha sugestão — com todo o conhecimento que eu tenho sobre isso, ou não — é justamente de não depender somente de si para resolver seus problemas, sejam eles profissionais ou pessoais.

Uma visão externa geralmente ajuda muito, mesmo em situações em que eles nem saibam metade do que está ocorrendo. O simples ponto de vista alheio pode fazer com que abramos nossos olhos para o óbvio que já está na nossa frente.

Se quiser conferir mais textos, fotos e conteúdos em geral, dê uma olhada em minhas redes sociais também!

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