A meritocracia ideal em uma analogia do futebol

 

Muito se discute nos dias de hoje sobre o conceito de meritocracia e sua aplicação em uma sociedade com tanta desigualdade. A falta de oportunidade de uns — enquanto outros têm tudo do bom e do melhor —pode ser considerada nessa equação? O ponto de partida de um deve ser considerado na discussão deste tópico? Existe algum lugar em que a meritocracia realmente possa funcionar?

Posso garantir a você que não responderei nenhuma dessas questões — pelo menos não a ponto de mudar toda essa discussão —, mas proponho entendermos um pouco melhor o conceito de meritocracia e tentarmos discutir, juntos, onde ele pode ser aplicado e quais suas reais vantagens. Já aviso que boa parte desse texto pode ser considerada utópica e irreal, mas, ainda assim, acredito que a simples discussão do assunto já favorece o enriquecimento cultural de todos nós.

 

Explicando a meritocracia

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Segundo a versão online do dicionário Michaelis, a meritocracia pode ser definida assim:

  • Forma de administração cujos cargos são conquistados segundo o merecimento, em que há o predomínio do conhecimento e da competência.
  • Indicação de promoção por mérito pessoal.

Explico: de acordo com este conceito, uma sociedade pode ser administrada a partir do mérito de cada indivíduo, em que os mais competentes possuem a possibilidade de crescerem — principalmente em suas carreiras — por conta de seus próprios esforços. Logo, os que apresentam maior habilidade devem ocupar cargos mais altos. Questão de lógica.

Sinceramente, gosto bastante do conceito, mas entendo que ele não se apresenta válido para todas as situações, visto que o ponto de partida de cada um dos participantes pode — como vemos diariamente no Brasil — exercer força maior do que seu próprio mérito ou esforço.

É inegável que, se pegarmos dois jovens, ambos com conhecimento, esforço e méritos iguais, porém um de classe alta e outro proveniente de uma família de baixa renda, os resultados tendem a ser bastante diferentes. As oportunidades dadas a eles, assim como a rede de contatos — o famoso networking — e o poder de influência de suas famílias são fatores que influenciam em seus resultados profissionais tanto ou mais que seus méritos.

 

Onde entra o futebol?

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Ao ler o título deste artigo, você provavelmente se perguntou o que o autor — prazer, eu —tinha em mente. Explico que, grande fã de futebol que sou, sempre me intrigou a “justiça” que este esporte pode oferecer. Óbvio que nem sempre esse conceito é válido, mas, sempre que possível, quem está melhor joga, quem está mal vai para o banco. Simples, rápido e (quase) indolor.

Me espanto ao assistir um jogo com times tidos como menores, especialmente durante os estaduais, o campeonato brasileiro da série B, ou até mesmo as primeiras fases da Copa do Brasil, e verificar a quantidade de jogadores lá presentes que já atuaram por enormes potências do Brasil e do mundo.

Quantas vezes posso falar que ao assistir um jogo desses, vejo um jogador com passagens por Palmeiras, Flamengo, Internacional e, as vezes, até Real Madrid ou Manchester United, que agora joga para menos de mil pessoas, recebendo um salário de R$5.000,00, e ainda passa boa parte da partida no banco.

Me pergunto o que ocorreu com esse jogador e por que ele está nessa situação. ONDE ESTÃO SEUS MÉRITOS?

 

Aproveitando as oportunidades

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Acredito que o futebol é uma boa analogia para essa discussão, pois é algo que depende, majoritariamente, dos seus esforços. Independente de estímulos externos, o seu mérito te tornará um grande jogador ou um figurante no show dos outros.

Imagine a seguinte situação:

Em seu primeiro treino nos profissionais, você marca três gols. Nos dias seguintes, continua com a mesma média. A torcida vê pela internet o que você está fazendo, e vai forçar o técnico a te colocar pra jogar.

No primeiro jogo, entrando aos 40 minutos do segundo tempo, você tem uma chance, apenas uma, cara a cara com o goleiro. Você faz o gol. No próximo jogo, você pode entrar aos 35, quem sabe. Não se espera que você faça o impossível, mas sim que faça o possível quanto tiver a chance. Teve chance, faz gol.

Com essa média, em pouco tempo você vira titular, a torcida vai brigar por você. Apareceu um jogo grande, clássico, ou final de campeonato? Entra, faz o seu, marca duas vezes, ergue a taça.

Em pouco tempo, clubes da Europa, seleção, todo mundo está de olho. O que você faz? O de sempre, entra e resolve, faça a sua parte. Você, por conta de seu mérito, seus esforços e sua habilidade, conquistou seu lugar. Você aproveitou sua oportunidade.

 

Utopia ou Realidade?

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Acredito que essa seja a dúvida — ou a certeza — em sua cabeça agora. Todo esse cenário que acabei de descrever, não seria esperar somente o melhor de tudo? Descartar diversas variáveis, tais como lesões, problemas extra campo, relacionamento com o técnico, qualidade do elenco, e tantas mais, não seria inocente demais?

Pois bem, pode ser que sim.

Pode ser que eu tenha sido otimista demais nesse cenário, visualizando apenas a parte boa, e tirando todas as ruins. Mas posso te garantir que isso foi proposital. Por quê? Porque é uma possibilidade. Remota. Improvável. Mas, ainda assim, uma possibilidade.

 

A tal da oportunidade

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Durante o texto, falei mal da meritocracia, expliquei seus podres. Também falei bem da meritocracia, mostrei que é possível. O que quero eu então? Qual a opinião final desta discussão? Tenho alguma, ou somente estou sendo hipócrita e discutindo algo sem chegar a lugar algum?

Bom, o x da questão está exatamente ai, não há uma resposta válida para tudo isso. Assim como tantos outros tópicos, a meritocracia faz parte do famoso depende. Em algumas situações é não só possível, mas indicado que a utilizem. Em outras, utilizá-la pode ser um simples ato de crueldade.

Muito mais do que discutir tudo isso, entretanto, deve-se analisar o porquê de sua inutilização em nossa sociedade moderna. O motivo pelo qual nem todos podem iniciar no mesmo ponto de partida a corrida de suas vidas.

Se você ainda se está apegando à minha pequena história do jogador de futebol, achando que tudo que falei era impossível, te digo uma coisa, independente de seu ponto de vista quanto a este tópico:

Nunca se esqueça que possível não significa que será fácil. Mas também nunca se esqueça, difícil não quer dizer impossível.

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