A dificuldade que temos em aceitar as limitações dos outros

Em meus tantos 24 anos de vida, já se tornou mais que uma constante analisar a dificuldade que nós ainda temos, como sociedade, em aceitar as limitações que outros indivíduos possam apresentar, o que me faz pensar em qual real motivo desse bloqueio em se colocar no lugar dos outros e realmente entender seus sentimentos e medos.

Nos últimos meses vivenciei diversas dessas situações, e o que mais me espantou é o efeito manada que ocorre quando alguma pessoa solta, meio que sem querer às vezes, uma frase que demonstre qualquer nível de desconforto. A maneira como os outros respondem costuma ser, na grande maioria das vezes, exatamente a oposta ao que se espera de círculos tão fechados como amigos e familiares.

Além das dificuldades, outro fator que gera imensas repercussões, das mais leves até grandes discussões, é o famoso “sair da caixinha”, pensar outside the box. Sempre que você se propõem a fazer algo que seja contrário ao que o manual da sociedade moderna impera, você acaba tachado como rebelde ou louco, sendo que poucas vezes é dada a você a possibilidade de rebater e explicar seus motivos.

Quer um exemplo disso tudo? Experimente falar, como eu, que você é um jovem de 24 anos que não bebe álcool. Posso garantir a você que algo tão simples se torna em grandes e massivas discussões, que em momento algum visam entender os reais motivos de minha opção. Quer mais exemplos, sem problemas, há vários a se dizer.

Durante o fim de ano estava em um apartamento, assistindo à queima de fogos e, me colocado na situação de “opressor” desta situação, detalho o ocorrido. Estávamos no sexto andar, e um de meus amigos tinha medo de altura, então enquanto todos se espremiam na varanda, ele estava confortável na sala, assistindo de longe. Parece que é instintivo perguntar o porquê de ele não se juntar a nós, assim como tentar, por mais de uma vez, força-lo a vir à varanda para ter a melhor visão. Por mais que a intenção fosse boa, em nenhum momento pensávamos no que era melhor para ele, mas sim no que nós considerávamos o indicado.

Todo medo tem uma história por trás

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Acho interessante entendermos esse conceito. Acredito que todo medo ou dificuldade apresentado por determinado indivíduo tem um porquê e, independente de ser explicável ou não, é algo que afeta aquela pessoa de uma forma como não podemos, como espectadores, entender completamente.

Essa acaba sendo a maior dificuldade da sociedade moderna, querer julgar as experiências passadas dos outros através de nossos olhos. Tentar, de alguma forma, trazer a realidade deles para a gente, porém sem as vivências que eles tiveram. Se não impossível, essa atitude é extremamente complicada e poucas vezes vai trazer um efeito positivo.

Pense bem, se você não passou por aquela situação, exatamente da forma como a outra pessoa, você não tem como entender o que ele passa.  Não tem possibilidade alguma de conversar com alguém que foi atacado por um tubarão — meio trágico né, eu sei — e falar “eu te entendo, já fui mordido por um pintcher uma vez…”. Percebe que, ao invés de ajudar, você estará meio que zombando da dor dela? Tentando comparar com algo infinitamente menos impactante?

Da mesma forma, devemos tentar nos colocar no lugar da pessoa e entender que, muitas vezes, o melhor não é sugerirmos a ela o que fazer, mas somente as apoiar no que precisarem. Na maioria das situações, um “faça o que é melhor para você, você merece” é infinitamente melhor que um “respira e se acalma, tudo vai melhorar”.

Sei que podem parecer iguais, mas esses dois conselhos carregam consigo semânticas bastante diferentes. Para pessoas como eu, com ansiedade, a coisa que mais dá raiva é quando temos uma crise e alguém fala para “parar de pensar no futuro” ou “se acalmar”.

POR*A, SE FOSSE TÃO SIMPLES EU FARIA VOCÊ NÃO ACHA?

O grande exercício de se colocar no lugar dos outros

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Se me perguntarem hoje qual o maior problema da sociedade como um todo, não hesito em responder que é exatamente esse, o de saber se colocar no lugar dos outros.

Vivemos em tempos de muito ódio, hipocrisia e rancor. Mas isso, em minha opinião, somente ocorre por que cada um vive em seu pequeno mundinho, seguindo regras preestabelecidas por outro alguém, e sem conseguir pensar fora dessa realidade. Precisamos entender que há muito mais do que nos cabe nos olhos, e que cada pessoa carrega consigo um mar infinito de vivências, experiências, decepções e tudo mais.

Já vi pessoas com muito dinheiro com problemas seríssimos familiares e psicológicos, assim como conheci pessoas extremamente pobres com uma felicidade que parece até não fazer sentido. Precisamos parar de julgar os tais livros por suas capas, e entender que dentro deles há muitos capítulos, alguns dos quais ainda nem foram revelados ao mundo.

Para terminar, deixo uma mensagem para os oprimidos, e não aos opressores, como ao longo de todo o texto.

Somente você sabe o que passou, e muitas das vezes as decisões que tomar podem fazer sentido para você e mais ninguém. Isso não é errado, muito menos ruim. Mas também devemos utilizar de um mea culpamerecido.

Não espere que as pessoas entendam 100% do que você passou se você só as informa 50%. 

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