Por que fiquei uma semana sem redes sociais e você também deveria

Por que fiquei uma semana sem redes sociais e você também deveria

Por conta de diversos motivos — tais como o início de ano, planejamento para novos projetos, alguns problemas de saúde e o simples cansaço do que aparece repetidamente — resolvi me afastar das redes sociais por algum tempo durante a última semana. A experiência, que começou como uma pausa de um dia, se mostrou muito mais benéfica do que poderia imaginar, e abaixo listarei os motivos que me levaram a ter essa opinião.

Primeiramente gostaria de dizer que sou um perfeito heavy user de mídias sociais. Tenho Facebook, Instagram, LinkedIn, Pinterest, Twitter, Snapchat e por aí vai. Admito que não utilizo todos atualmente, mas costumo acompanhar com frequência pelo menos os quatro primeiros.

Sim, sou aquele tipo de pessoa que, assim que vê uma pausa de qualquer que seja a tarefa a ser realizada, desbloqueia o celular e dá uma olhada em um pouco de cada um dos aplicativos que seja febre naquele momento. Costumo ficar o dia inteiro conectado, vendo, curtindo, compartilhando e comentando tudo que aparece em minha mão.

As eleições e suas polêmicas

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Admito que, desde as eleições do ano passado, tenho tido menos felicidades em me atualizar por algumas dessas redes, especialmente o Facebook. A crescente quantidade de amigos com opiniões distintas entre si, e que acabam batendo de frente mais do que frequentemente, acabou por tirar um pouco da alegria que sentia ao navegar.

Todos têm uma opinião, e entendem que é preciso compartilhá-la com o mundo — para mim, está mais para querer provar seu ponto de vista do que gerar uma discussão sadia, mas enfim. A falta de fontes seguras, com o surgimento das fakenews, abalou ainda mais esse equilíbrio, visto que agora todos têm uma fonte para embasar suas — nem tão coerentes — opiniões.

Veja bem, o problema que estou citando aqui não está no livre arbítrio de demonstrar seus sentimentos, mas sim na hipocrisia em querer expressar os mesmos sem deixar que os outros também o façam. As eleições trouxeram à tona a rivalidade de esquerda versus direita, e as redes sociais se mostraram o perfeito campo de batalha, onde não há regras nem mediadores.

Não sei se isso é algo que acontece com todos ou se é uma exclusividade minha, mas constantemente me pego lendo todas as opiniões escritas nas redes sociais, por ambas as partes, e discutindo comigo mesmo sobre aquilo. Mais do que isso, o fato de eu preferir não comentar nos posts faz com que eu fique remoendo aquela opinião dentro de mim, muitas vezes por semanas.

Nem sempre o fato de você poder dar sua opinião quer dizer que você deveria.

O mimimi continua

Já falei neste blog sobre a necessidade dos millennials de terem uma posição sobre tudo que acontece ao seu redor, muitas vezes sem qualquer conhecimento técnico do assunto. Em tempos de preconceito, racismo, feminismo e homofobia, isso transborda em seus textos.

Veja bem, não discuto aqui se suas reclamações estão corretas ou não, nem se tais pensamentos são verídicos ou fazem parte de mais dos seus mimimis. Meu ponto está no fato de quererem reclamar sobre tudo e todos, sempre se colocando como vítimas de uma sociedade da qual fazem parte, tanto como oprimidos quanto como opressores.

Outro fator que me irrita profundamente nessas discussões é a hipocrisia apresentada em seus discursos. Dizem que são contra estereótipos, mas não pensam duas vezes para estereotipar seus concorrentes. Querem manter o debate educado, mas são os primeiros a utilizar de xingamentos quando perdem um argumento. Reclamam que ninguém os deixa falar, mas fecham os ouvidos para opiniões contrárias.

Esse é o mimimi a que me refiro. 

Minha toda fake vida

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Além das discussões, a internet também está repleta de vidas perfeitas, com famílias amorosas, viagens espetaculares e grandes aquisições como carros e casas. Não discuto aqui a veracidade desses acontecimentos nem as circunstâncias em que ocorreram, mas sim a forma como atingem os espectadores.

Acredito que é mais do que justo querer utilizar das redes sociais para compartilhar com seus amigos suas conquistas. Se você faz isso, está completamente no seu direito. Meu conselho aqui vai, na verdade, para os que estão visualizando tudo isso.

Lembre-se que por trás de cada foto na Torre Eiffel, tem um carnê de dez prestações para pagar as passagens. Atrás de todo post de relacionamento perfeito, há uma infinidade de brigas e conflitos. Antes de qualquer foto de graduação, há quatro ou cinco anos de muito esforço e dedicação.

A sua vida não é perfeita. Mas a dos outros também não. 

Como trabalhar assim?

Mais complicado do que parece, o tal detox de mídias sociais pode também afetar sua carreira, visto que muitas são as profissões que dependem delas para trazer o pão para casa todos os dias. Mas como tudo nesse mundo, há formas de driblar essa dificuldade.

Possuo em meu Facebook diversos grupos com os quais consigo fazer networking com outros profissionais, assim como conseguir novos trabalhos ou parcerias. Como fiz para não perder essas oportunidades durante essa semana? Simples, continuei a acessar meu perfil sempre que havia uma notificação.

O que diferenciou minha utilização essa semana do resto de minha vida foi a forma como a fiz. Sempre que precisava utilizar dos grupos para algo, entrava, ia direto neles, visualizava o que era preciso e fechava o aplicativo. Rápido, fácil e indolor. Não dava brechas para ficar passando por meu feed e vendo tudo que todos postavam.

A chave da estratégia está na objetividade.

Os vícios alternativos

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É normal uma pessoa que para de fumar, por exemplo, ganhar peso por transferir sua compulsão para a comida. Assim ocorreu comigo durante essa semana. Para alguém que estava acostumado a pegar o celular a cada intervalo na televisão, é extremamente difícil ficar sem nada. Por isso, optei por transferir minha necessidade para outro aplicativo dentro de meu celular.

Enquanto eu estaria no Facebook ou Instagram, abria um jogo tipo Candy Crush. Pode parecer somente uma transferência de vícios, mas pelo menos com esse minha mente estava relaxando, e não se ocupando com mais problemas do que deveria.

Admito que por vezes acabei transferindo também minha energia somente de uma rede social para outra. Utilizei bastante o LinkedIn durante essa semana, por entender que era um meio sem tanta polêmica e com mais opiniões positivas e interessantes. Não me arrependo, até porque acho que minha visão estava correta. Ainda assim, tentarei tirá-la também em meu próximo detox social.

Um problema mundial

Quando comecei a escrever este artigo, fiz minha pesquisa para escolher a melhor palavra-chave para o mesmo — detalhes de SEO que um redator acaba procurando. No meio de minha pesquisa, encontrei várias reportagens sobre uma ação realizada pela RSPH (Royal Society for Public Health), uma organização britânica focada em saúde pública.

A ação se chamava Scroll Free September, e encorajava as pessoas a ficarem um mês sem utilizar as redes sociais. Muito mais do que publicidade, o teste tinha como objetivo demonstrar que o uso indiscriminado de mídias sociais estava trazendo muitos efeitos negativos sobre a sociedade.

No fim das contas, é bom saber que esse não é um problema que só você está passando. 

Os efeitos do experimento

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Bom, o que aprendi nessa última semana? Simples. Aprendi que minha vida não depende da utilização de meu celular 100% do tempo. Aprendi que posso curtir muito mais o momento atual se não estiver com minha atenção presa a distrações tecnológicas. Aprendi ainda, que tudo em excesso faz mal, independente do quão inocente possa parecer.

Como qualquer millennial, não posso te dizer aqui que irei banir minha participação das redes sociais para sempre, nem que farei testes como esse uma semana sim outra não. O que posso te afirmar é que percebi os efeitos desses aplicativos, e quero sim diminuir sua utilização. Talvez regulando dias ou horários, talvez bloqueando as pessoas que me fazem mal.

Ainda não sei ao certo o que fazer para adaptar nossa realidade à utilização dos tais meios digitais. Mas posso te afirmar, com toda a certeza, que o que temos feito até agora está errado, e devemos corrigir esse comportamento antes que a próxima geração talvez não tenha essa oportunidade.

Se quiser conferir mais textos, fotos e conteúdos em geral, dê uma olhada em minhas redes sociais também!

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