Não gosta dos millennials? Sinto muito, mas a culpa não é deles!

Sem dúvidas existem muitas opiniões controversas sobre a geração dos millennials, acontece que, assim como qualquer outra geração, eles são o simples resultado do que ocorre ao seu redor. 

Inicio esse texto já explicando que esse texto se remete especialmente aos mais velhos, das gerações X e baby boomers, que constantemente reclamam dos millennials – nascidos entre o fim dos anos 1980 até o fim da década de 1990 – por suas características.

Mimados, arrogantes, imediatistas, ansiosos. Esses são alguns dos adjetivos que já ouvi para descrever a tal da geração Y.

Não quero discutir aqui a veracidade dessas descrições, até porque concordo em parte com várias delas. As características que descrevem essa geração já são mais do que conhecidas, com certeza você ouviu.

O que proponho aqui é um mea culpadas outras gerações, tentando entender que os millennials são fruto dos impulsos externos que os atingiram durante seu crescimento e, querendo ou não, esses impulsos foram feitos por você!

Se você ainda não entende qual seu papel nessa história, o convido a ler os parágrafos abaixo, onde tentarei – da forma mais imparcial possível, prometo – te mostrar quais foram os eventos que os fizeram ser como são.

Aviso aqui também que o conteúdo pode ter um pouco demais de história, mas garanto que, ao fim da leitura, tudo vai fazer sentido, não se preocupe.

 

Baby Boomers – A Geração Pós Guerra

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Traçando uma linha cronológica, nossa história começa com a geração dos baby boomers, os indivíduos nascidos entre as décadas de 1940 e 1960.

Como sei que vocês sabem tudo de história, já perceberam que esses são aquele que foram criados no período pós Segunda Guerra Mundial, e isso com certeza os influenciou em suas características e hábitos.

A guerra tirou deles a perspectiva de um futuro mais calmo, e a constante rivalidade de EUA e Rússia dava a entender que essa não teria sido a última guerra mundial.

Com tantas incertezas a respeito do futuro, eles cresceram com sonhos e ambições muito mais “pés no chão”. O que queriam de suas carreiras era entrar em uma empresa, e nela permanecer por muitos anos, de preferência até suas aposentadorias.

Cargos e promoções não eram tão valorizados quanto a estabilidade e a segurança. Suas carreiras eram uma grande zona de conforto, em que o grande objetivo era provar seu esforço e ter um futuro minimamente garantido.

Passar a vida inteira em uma empresa, entrando como auxiliar e saindo como auxiliar, era motivo de orgulho, provava sua lealdade e respeito aos empregadores. Não havia nada de errado com isso. Era uma carreira dos sonhos.

Mesmo com o crescimento do capitalismo, seus desejos de compra ainda se restringiam às suas necessidades. Não era prudente arriscar as economias de uma vida em bens materiais inalcançáveis.

Acredito que muitos de vocês, lendo esse texto, conseguem ver um pouco de seus pais ou avós, lembram das histórias que eles contavam e, agora, entendem o que os motivou a ser assim.

 

Geração X

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Os filhos dos baby boomersficaram conhecidos como a Geração X, os nascidos entre o fim da década de 1960 e o início dos anos 1980.

Cresceram vendo seus pais trabalharem muito, sempre pela mesma empresa, sem ter seus esforços reconhecidos em forma de salários ou promoções. Assim, perceberam que tinham ambições parecidas, mas não idênticas.

Esses indivíduos também queriam fazer carreira em uma empresa, entrar ainda jovem e sair somente quando aposentar. A diferença estava no desenvolvimento de suas carreiras.

Eles queriam entrar como estagiários e sair como diretores. Eles queriam ter uma evolução em suas carreiras, o crescimento e a evolução profissional que seus pais não tiveram. Queriam ser valorizados, queriam ganhar dinheiro.

O capitalismo passou a ser mais selvagem e o statusvirou objeto de desejo de boa parte dessa geração. Dinheiro virou sinônimo de sucesso e, mais do que tê-lo, era importante mostrá-lo. Para seu poder ser comprovado, os outros precisavam vê-lo.

Nesse período as mulheres também entraram, de vez, no mercado de trabalho, e a organização das famílias passou por algumas mudanças importantes. As mulheres passavam mais tempo fora, e os homens dedicavam cada vez mais horas para suas carreiras.

A falta de tempo para cozinhar levou à criação dos de novos segmentos por parte dos grandes varejistas, tais como alimentos enlatados, o crescimento do fast foode a necessidade de mais conservantes artificiais.

E aí, conseguem relacionar essa história a alguém que vocês conhecem? Conseguem, de alguma forma, ver um pouco dessa historias dentro de suas próprias vidas?

 

Finalmente, os Millennials!

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Chegamos então ao tema principal deste texto. Com todos os dados acima, acredito que já seja possível traçar uma linha de pensamento que conduza ao momento que vivemos hoje, não?

Para deixar ainda mais simples a conclusão de toda essa história, opto por contar a trama, a partir de agora, tornando você, leitor, o protagonista. Quem fará as escolhas será você, e assim veremos se é possível entender a mentalidade dos millennials.

Seus avós trabalharam muito, concentraram todos seus esforços em empresas que não os reconheceram, e hoje estão aposentados pelo governo. Recebem um cheque mensal que não cobre nenhum de seus custos, o que os faz depender quase que exclusivamente do dinheiro dos seus filhos.

A grande maioria de seus gastos são referentes à saúde, o que faz com os filhos tenham que arcar com um bom convênio médico particular. A herança que vão deixar não tem nada de especial. O terreno de suas casas é mais valorizado que a casa em si.

Não é exatamente o que você imagina para seu futuro, correto?

Chegamos então aos seus pais, que trabalham muito, saem todos os dias às 07h da manhã, sem hora para voltar. Os finais de semana também se resumem a trabalho, para você já é mais do que natural.

É verdade que a família possui uma bela casa, com dois carros novos na garagem, e viajam uma vez por ano. Mas você, ao contrário dos outros, sabe que tudo isso está financiado ou parcelado. Sabe que o esforço para ter tudo é desproporcional aos benefícios.

Por conta de todos os esforços, seus pais já não têm aquela saúde que se esperava. Seu pai não consegue jogar bola, porque o joelho dói, sua mãe tem que ter cuidado redobrado por conta das dores nas costas. E tudo isso aos 40 anos.

Ao mesmo tempo, seus pais sempre pensaram no seu bem, sempre quiseram o seu melhor. Falaram que você devia ser feliz, não se preocupar com a opinião dos outros. Você vai longe meu filho!

Soma-se a isso a pressão que tem sobre seus ombros. A concorrência hoje em dia é desproporcional, tanto para entrar na faculdade quanto para conseguir um bom emprego. Inglês deixou de ser extra e passou a ser básico, graduação idem.

Não tem intercâmbio? Não tem MBA? Não tem experiência, mesmo com 23 anos nas costas? Você não se encaixa no perfil da vaga, muito obrigado.

As redes sociais ajudam tanto quanto atrapalham. Você acorda e vê aquele americano que com os mesmos 23 anos criou uma empresa de tecnologia e hoje está bilionário.

Seus amigos estão passando férias na Disney, de novo. Você vai para o Guarujá mesmo. Outros amigos estão se casando, tendo filhos, você nem tem namorada.

Você é um estagiário, ganha R$800,00 por mês, sendo que sua faculdade custa R$1.200,00. Enquanto isso aquele seu vizinho está super bem em seu novo emprego no Google.

Isso tudo você viu em 10 minutos que ficou no celular quando acordou, somente passando os olhos no Facebook e Instagram.

Essa é a vida de um millennial.

Através dessa perspectiva, você consegue entender o desejo dos millennialspor independência financeira? Por hábitos de vida mais saudáveis? É possível entender sua ansiedade e a pressa por resultados? Em algum momento, durante esse texto, conseguiu entender o motivo de tanta depressão e outros distúrbios psicológicos?

Para finalizar, queria deixar claro que o real objetivo deste artigo é te mostrar o que ocorreu para que chegássemos nesse ponto, além de te colocar no lugar daqueles que você tanto critica.

Os millennialsnão são perfeitos, e sim, tem inúmeros defeitos. Mas a grande maioria dessas características têm uma explicação proveniente do processo histórico que os resultou.

Assim como você, quando tinha a idade deles, eles estão em dúvida, estão perdidos e buscando se entender, mais do que tudo. Eles não precisam do seu ódio e desrespeito. Precisam de apoio e orientação.

Se você é um profissional e trabalha com um millennial, o guie para os caminhos mais simples. Tente ser o mentor que você não teve quanto tinha a idade dele.

A sua vida é muito mais difícil do que os outros pensam, não é? Então, por que você acha que com os outros é diferente?

Se quiser conferir mais textos, fotos e conteúdos em geral, dê uma olhada em minhas redes sociais também!

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