O Natal e o “mea culpa” – O verdadeiro papel da Publicidade no período festivo. 

Com a chegada do fim de ano, vem o Natal, e aquela sede da sociedade por gastar seu suado dinheiro em presentes – para os outros e para nós mesmos – usualmente justificada pela “publicidade escancarada” do período festivo. Mas vamos admitir, não é por causa da publicidade que fazemos tudo isso, correto?

Todo ano é a mesma coisa. O segundo semestre começa e as pessoas passam a se planejar… Assim que acabam as férias de julho, vem o Dia dos Pais, Dia das Crianças, e algum tempo depois o Halloween. Após 31 de outubro, a febre vermelha começa…

Os shoppings começam a se decorar com grandes e volumosas árvores, cheias de enfeites vermelhos e dourados. Ao lado, diversas caixas de presente, geralmente seguindo a mesma paleta de cores. Renas, trenós e um bom velhinho sentado numa grande cadeira completam a decoração.

As casas também mudam, repentinamente. As garagens recebem luzes, cada ano mais cintilantes, assim como o jardim, que, de um dia para o outro, parece ganhar inúmeros bonecos, que vão desde um presépio em tamanho real até um papai noel subindo uma escada, próximo à janela. Um dos melhores clichês, em minha opinião.

Para finalizar, nossa televisão também muda. As propagandas, assim que superamos a Black Friday, passam a focar em grandes enredos que envolvem a família e os amigos, mesas fartas, histórias mágicas de mundos irreais. Deixam de aparecer as promoções de “leve dois, pague um” para focar na relação das marcas com o período festivo – o famoso branding– e o apelo passa a ser muito mais emocional do que racional.

E é aí que se encontra o tema desse texto. Entendo que o investimento em publicidade é imenso nesse período, especialmente por parte das grandes marcas, e o instinto da compra aparece como nunca. Mas vamos ser sinceros, vamos assumir a mea culpa. Não é por causa disso que gastamos boa parte de nosso décimo terceiro – para aqueles que o tem – e algum dinheiro a mais, provavelmente parcelado em doze suaves prestações.

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A vontade de presentear nossos familiares, amigos, colegas e conhecidos é mais do que natural e, em minha humilde opinião, traz um sentimento muito nobre. Ver a cara do presenteado ao abrir a embalagem, a reação ao descobrir o presente, e a gratidão no agradecimento. São coisas que não há como colocar um valor. Ainda assim, a frase que mais escuto nesse período – por ser publicitário – é a famosa:

“Ah, mas é tanta propaganda nessa época que sou obrigado a comprar”.

Nesse momento que paro para pensar, respiro algumas vezes e dou a resposta: “Não, meu querido, você compra porque você quer, você compra porque você se sente na obrigação de agradecer aos outros, você compra porque, depois de um longo ano de trabalho, você sente que merece um mimo. A publicidade somente aparece aí como uma desculpa, um bode expiatório dos seus desejos.”

Por favor entendam bem. Não estou, em momento algum, tirando o papel de destaque da publicidade dessa época do ano, afinal, muito dinheiro é investido nesse período e vários são os profissionais que passam o mês – e até mesmo a véspera de Natal – trabalhando com esse intuito.

O que acontece é que as pessoas precisam entender que a propaganda não é uma arma apontada para sua cabeça, forçando você a fazer coisas que não quer. Ela é mais como um grande leque de opções, que te mostra os benefícios de cada um dos milhares de produtos existentes no mercado. A escolha de compra, é sua. Não negue isso.

Também não estou, em momento algum, condenando a compra durante o mês de dezembro. Capitalista que sou, sei bem que a sensação de posse e de compra é algo que relaxa e traz felicidade – ainda que momentânea – e não deve ser tida como um pecado capital.

Não vejo problema algum em gastar dinheiro, independente do custo e do motivo, desde que este seja seu e o tenha conquistado de forma lícita. O que ocorre é que devemos assumir nossos atos – e nossas fraquezas, neste caso – e parar de culpar a publicidade por compras que iríamos fazer com ou sem ela.

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Sei bem que a sociedade em que estamos inseridos – consumista e imediatista – nos leva a tomar atitudes que talvez não nos agradem, assim como os costumes e o senso comum atual nos obrigue a manter alguns padrões que não nos parecem ideais.

Presentes e lembranças devem ser dados ao fim do ano, aos entes queridos, ao amigo que te apoiou em algum momento difícil do ano, ou aquele colega de trabalho que fez um serviço excepcional durante os últimos doze meses. Mais do que o merecimento, há ainda a questão da reciprocidade.

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Fica chato receber um presente e não ter nada para retribuir, ou ainda ganhar algo de R$100,00 quando o que você comprou não passa dos R$20,00. Essas são as pegadinhas da vida moderna, algumas leis que devemos seguir sem saber ao certo o porquê. Mas é assim que vida funciona hoje em dia. Podemos reclamar ou abraçar.

“Você pode reclamar das regras do jogo, ou aprendê-las e jogar melhor. Cabe a você decidir.”

O que quero dizer, ao fim deste texto, é que obviamente temos regras a seguir nessa vida, e obrigações com as quais não concordamos. Mas, ao contrário do que muitos pensam, a publicidade não dita tais regras e as distribui para o povo através de grandes campanhas de rádio, televisão e – atualmente – mídias sociais.

A propaganda participa desse ciclo da mesma forma que você, ela recebe um livro com as regras e as segue, talvez tendo a mesma percepção que você tem.

O que difere a participação dela da sua é simplesmente o poder de influência, visto que pode-se atingir muito mais gente com um vídeo de 30 segundos no intervalo do Jornal Nacional do que fazendo posts polêmicos no Facebook.

Ao fim desse artigo, posso não ter te convencido de minha opinião – o que é mais do que natural e aceitável – mas espero ter colocado, ao menos, mais um ponto de vista em seus pensamentos, e que você o considere em suas próximas discussões sobre o assunto.

Pode ser consumista no Natal? Pode. Pode comprar presente pra todo mundo? Pode. Pode gastar o décimo terceiro em um celular que faz a mesma coisa que o antigo já fazia? Pode também.

Só não venha me dizer que fez tudo isso por que “a propaganda me obrigou”.

E aí, gostou desse artigo? Escreva nos comentários o que você achou!

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