A experiência de viver fora

Muito mais do que aprender um novo idioma, morar fora do país te traz uma nova visão de mundo e de vida, que não pode ser resumido somente em um título de bilíngue.

Sonho de muitas pessoas – e dos pais de outros tantos – o intercâmbio se resume na experiência de morar em outro país por um determinado período de tempo, que pode ser de algumas semanas a vários anos.

Mais do que isso, você se permite viver da forma como os nativos vivem, comendo seus pratos, conhecendo suas pessoas, curtindo suas festas e participando de sua cultura.

Abaixo descreverei um pouco como foi minha experiência de intercâmbio e irei compartilhar também algumas dicas para quem pretende se arriscar nessa jornada.

Meu Intercâmbio

Meus pais sempre sonharam em me mandar para um intercâmbio – um pouco daquele desejo que não puderam realizar para si mesmos, mas queriam garantir a mim.

Para ser bem sincero, nunca entendi muito bem esse conceito.

“Então vocês querem que eu vá para um lugar desconhecido, com pessoas desconhecidas, falando um idioma desconhecido? É tipo isso mesmo?”

Acontece que quando estava para me formar no ensino médio, então com 17 anos, um convite de um grande amigo mexicano os permitiu realizar seus sonhos e, assim, redefinir o que eu tinha como o conceito de viver.

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Meu intercâmbio durou ao todo quatro meses, divididos entre a ensolarada San Diego/USA e a gigante metrópole que é a Cidade do México/MEX.

Entre os dois, pude entender o conceito de segurança e respeito às leis dos americanos, assim como a valorização da cultura que os mexicanos têm, ambos que nunca tinha presenciado no Brasil.

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Sair da sua zona de conforto também significa conhecer novas pessoas – a melhor parte de tudo isso. Não só os nativos destes dois países, mas todos os estudantes que conheci na jornada.

Um piloto francês, alguns filhos de sheiks árabes, uma professora de história mexicana. São tantos os personagens que fica difícil escolher apenas um para descrever.

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Os lugares visitados também são parte essencial de um intercâmbio. Nos meses que fiquei fora pude andar na Hollywood Walk of Fame, avistar o muro que divide os Estados Unidos do México – Trump likes it –, subir no topo da Pirâmide do Sol, conhecer a tal da baleia Shamu, ver um pôr do sol no Oceano Pacífico, e tirar foto com a estátua de cera do Steven Spielberg. Uma coisa mais legal que a outra, confesso.

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Em resumo, conheci um monte de gente, um monte de lugar, um monte de comida. Não achei minha casa, me perdi na cidade, disparei o alarme de incêndio do MC Donald’s de Los Angeles, achei que ia ser preso – não fui –, queimei a boca com pimenta – várias vezes –, comprei uma Câmera digital, quebrei minha câmera digital, virei escoteiro, vi uma luta de MMA, ganhei mais uma família, fiquei obcecado por tacos, e por fim quase perdi o vôo de volta ao Brasil.

Ahh, e claro, voltei falando inglês… e arranhando no espanhol.

E o Brasil?!

Um detalhe importante – e que faço questão de falar para todos que me perguntam sobre a experiência – é perceber como o Brasil é bom.

Não, você não leu errado. O Brasil, sim.

Vivemos bombardeados de informações horríveis sobre nosso país e vendo como tudo é bom e funciona lá fora. Acontece que a realidade é diferente, é muito maior que o que aparece em nossas telas.

Não encontrei nenhum lugar que tenha a felicidade com que os brasileiros recebem seus visitantes. Nossa comida é incrível, assim como nossas belezas naturais! Nossa cultura, ainda que subvalorizada, é especial e eclética!

               

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Dicas, curiosidades e opiniões:

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Para onde ir?!

Escolhi lugares com climas parecidos com o que tenho aqui, por que sei muito bem que odeio o frio. Tenho amigos que moraram no Alaska e se divertiram, assim como alguns que no Egito se sentiram em casa. É claro que a experiência depende mais de você do que do lugar em que você está, mas, se puder escolher, opte por um lugar que combine com você.

Mas e a comida?!

Sou bem chato quanto à alimentação, e só de pensar em toda a pimenta que teria no México quase passava mal. Acontece que lá encontrei uma culinária maravilhosa e que me encanta até hoje. Se você não tiver a minha sorte, relaxa, MC Donald’s e Pizza Hut tem em todo lugar.

Tem muito brasileiro?

TEM.Brasileiro é praga, tipo formiga, onde você for vai ter. Se for se preocupar quanto a isso, melhor não ir. Aprenda a se aproximar deles para se sentir em casa, mas não esqueça que não vai aprender idioma algum se ficar falando português o tempo todo.

É muito caro?

O conceito de caro é difícil de definir, visto que o que é caro para um pode não ser para outro. Ainda assim, o investimento é sim considerável, mas garanto que o custo benefício é imenso. Além disso, existem várias opções viáveis que podem te ajudar, como trabalho voluntário, Au Pair, além de poder fazer como for melhor para você. Se só pode fazer seis meses, faça. Se só pode fazer um mês, faça. Se puder ficar somente duas semana, faça!

E se eu não gostar?

Olha, vários amigos meus já fizeram intercâmbio, de todos os tipos – high school, curso de inglês, trabalho, voluntário – de várias durações – semanas, meses, anos – e em diversos lugares – Austrália, Irlanda, França, Estados Unidos, Indonésia, África do Sul – e 99% deles dizem que foram os melhores meses de suas vidas. O fato de você gostar ou não depende muito mais de você do que do que irá ocorrer lá. Esteja aberto a novas experiências e você irá curtir!

Quando ir?

Como dito, eu fui com 17 anos – o que me tornava um “under underage” nos Estados Unidos, visto que maioridade se dá aos 21 lá – e mesmo assim consegui aproveitar muito. Tenho amigos que foram durante ou após se formarem na faculdade. Já vi até quem foi depois dos 50 anos. Novamente, depende de você!

E minha vida aqui?!

Essa, meu filho, fica aqui. Quanto mais coisas você tiver que façam com que sua cabeça esteja no Brasil, menos você vai curtir seu intercâmbio. Já vi pessoas que terminaram namoros para passar alguns meses fora, sem a certeza de que quando voltassem seus amados os estariam esperando. Emocionalmente falando, acho bastante difícil fazer isso. Racionalmente, entretanto, acho genial e certeiro.

Dica Bônus (Para os pais)

Dê espaço par seu filho errar, aprender, se divertir. Não tem como ele fazer tudo isso se precisar avisar vocês a cada cinco minutos onde ele está, o que está fazendo ou com quem está. Além óbvio, do pequeno detalhe que vocês estão a alguns quilômetros de distância, saber essas informações não afetarão em nada. Quando eu fui, conversava com meus pais uma vez por semana, normalmente aos domingos a noite, através do skype. Não é o suficiente para contar tudo nem matar as saudades, mas é o tempo que podemos dedicar a isso sem perder a experiência que temos lá.

Dica Bônus 2 (Para os pais)

“Ah, mas eu vou mandar meu filho para o intercâmbio por que ele precisa aprender a se virar, lavar louça, andar de ônibus…” Tio, deixa eu te falar uma coisa, seu filho vai fazer tudo isso por que ele PRECISA, não por que ele quer. Se quando ele voltar você continuar a lavar a roupa dele e leva-lo de carro para a escola, ele não vai se candidatar a fazer tais tarefas sozinho. O intercâmbio não vai “corrigir” seu filho, você vai.

Em resumo, aconselho a todos que têm essa oportunidade aproveitar cada segundo. O esforço é grande e há várias coisas que você deve relevar, mas o ganho pessoal, espiritual e até profissional compensa cada detalhe.

Só é possível entender a si mesmo, quando se consegue olhar pelos olhos dos outros, e é isso que um intercâmbio representa em sua vida.

             

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